Quem é Beto Junior?

3 Posted by - 09/07/2017 - #4, ano 4, alessa, beto junior

  • Conheci Beto Junior por um amigo em comum, o João Milet Meirelles. O João, eu conheci num workshop de gravação analógica e temos a paixão em comum por sintetizadores analógicos. Desde então, ele se tornou uma espécie de freeway particular do que anda rolando na música experimental em Salvador.

    E pelo Beto Junior, eu conheci Uru Pereira e Pedro Filho, estes dois não pessoalmente, só através do Beto Junior mesmo. Nosso primeiro contato foi ao vivo mesmo, old fashion, ele chegou aqui em casa assim:

    BJV1_divulgacao

    Em forma de zine e cd, Beto Junior Vol.1 é o primeiro trabalho dos amigos músicos que tinham em comum dois cenários baianos, a UFBA (Universidade Federal da Bahia) e o Teatro Vila Velha. Com a vontade de fazer improvisação livre, desde 2010 começaram a tocar pra ver no que dava. João_ no sintetizador modular, octatrack, ableton live/push; Uru_no fagote com o pedal whammy; e Pedro_guitarra preparada e pedais.

    O zine complementa o disco e em tempos de Spotifys, parece fazer cada vez mais sentido. Nessa vida de músico independente de nicho, cuidado e amor no material ajudam a quebrar a barreira de conseguir se diferenciar dos mil e um álbuns lançados por semana. O projeto gráfico foi feito pela Lia Cunha, o comix pelo Pedro Filho e o rolê todo lançado pela editora DUNA.

    Ao todo o disco tem 5 faixas, um pouco mais de meia hora de música e foi gravado no estúdio “Casa das Máquinas” lá Salvador pelo Tadeu Mascarenhas e edição, mix e master pelo próprio João. As músicas foram  gravadas em takes de improvisação sem corte.

    A primeira faixa Nossa História é a mais extensa do disco e trabalho bem as texturas processadas de guitarra e modular, em contraposição com o fagote, mais limpo. Aliás, o fagote é uma doideira em si, por sua característica acústica e seu título de “instrumento clássico” isso o distingue dos dois outros elementos, ele vira uma espécie de visitante, observador comentarista dos parceiros sintetizados, mas…quando ele próprio entra no processamento temos a sensação que ele desencarna do corpo “instrumento clássico” e encarna como entidade elétrica. Um exorcismo às avessas do santo fagote que foge à noite  pra brincar com os amigos elétricos do mal.  Uma ode ao Caos feita por Baco.

    DUNA_TOABF-2472-15 de junho de 2017

    Magic C, que é a última do disco (não estou as comentando na ordem), usa bastante técnicas expandidas, vale tudo, som de chave do fagote, tossir, frequências bem agudas theremizadas de sintetizador, guitarra preparada. O resultado é uma densidade sonora que se move, no começo mais esparsa de acontecimentos musicais aqui e ali, para uma massa sonora que se move por inteiro, às vezes sem saber o que é o que. Aqui, o fagote já foi completamente exorcizado e esquecemos dele como instrumento de orquestra.

    A minha faixa favorita é a terceira RaJahDas, mas sou meio bias pra falar, porque eu adoro/trabalho com voz e o começo desta faixa tem um trabalho de voz muito interessante e lúdico, como devem ser as improvisações free ou não. Ela progride pra contraposição de ritmos do modular, melodia quase toda ligada do fagote e comentários da guitarra que ora tem a função de frase em contraposição com o fagote, ora uma característica mais harmônica, contribuindo com a textura.

    As faixas dois e quatro são vinhetas que ficam no meio das faixas maiores e pra mim funcionam muito bem. Além de separar as faixas e “zerar o ouvido” da faixa anterior, elas são percebidas de quem vê o trio de fora. É olhar a cena de dentro da coxia e ver os remendos da roupa do ator. Torna o trabalho despretensioso e simples. O que é um alívio dentro do gênero improvisação free que muitas vezes tem a característica egoísta de “me escutem por mil horas fazer qualquer coisa com nenhuma comunicação entre eu e meu público”.

    BJ

    Perguntei pro João por que dar o nome da banda Beto Junior? Parece que é o disco de um brother só… Beto Junior, este ser que é mais não é, tão genérico como um Junior, específico como um nome próprio. Ele contou que depois de uma sessão de improvisação muito boa, Uru mandou o resultado pra ele num pen drive que havia achado na rua, o nome do pen drive era Beto Junior. E a partir desta história real, os três inventaram outra história, eram músicos acompanhantes do cantor compositor Beto Junior, que depois de tretas com o grupo resolveu sair, e a banda permaneceu batizada com o nome do cantor fantasma.

    Histórias inventadas em cima de histórias reais, quem nunca?

     

     

    Alessa


     

     

    Para Saber Mais:

    Beto Junior

    DUNA editora
    https://www.facebook.com/dunaeditora

     

     

     

     

     

     

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