#3, ano 4, editorial

0 Posted by - 29/05/2017 - #3, ano 4, editorial

  • Salve salve!

    Perâmbulo” :

     

    Ao editorar a linda a cada mês, observarmos as coincidências repentinas, todavia, inequivocamente maduras, das muitas moradas sonoras que ora ocupamos e habitamos. Mas em contraposição, também percebemos os muitos trânsitos e percursos sonoros possíveis que perambulamos, passamos, nos apropriamos como passageiros para depois ir embora. Os trânsitos e as migrações, as chegadas e saídas das moradas, as visitas. É como nos textos: meio que sem querer, conversamos entre nós, às vezes num paralelo bem próximo, como amigos íntimos; em outras, em conexões passageiras como num banco de ônibus, uma feira de alimentos de procedências longínquas que precisam ser cozidos a fogo baixo e, ainda depois, digeridos lentamente, para se revelarem para nós em outros efeitos de nutrições. Ou como dar outras funções a cômodos usados de forma velha, ou à salas e cozinhas sonoramente ocupadas e exploradas de outra maneira.

    Nesta edição, temos colaboradores novos e seus textos sobre as relações entre o som, habitações e seus nomadismos pulsantes; as trocas entre interioridades e exterioridades aí criadas. O compositor e sound designer Alexandre Sperandéo Fenerich relata sua experiência junto ao multi-instrumentista e luthier Tato Taborda e sua instrumenta Geralda, uma espécie de bicho-sonoro, ou bicha-sonora meio mulher-banda, meio instrumento-casa ambulante, morada meio caramujo, morada meio circo, montada dentro de um barraco no Largo São Francisco no Rio de janeiro e com a qual Fenerich interagiu em diversas ocasiões e concertos com Taborda. Geralda que conecta o interior das sonoridades improvisadas com o som entrante da rua.

    Outro colaborador estreante é Vinícius Fernandes, produtor do selo de música experimental TUDOS. Em seu texto, ele fala sobre seu disco-casa ou disco-roupa que ele veste: Metal Machine Music de Lou Reed. Fernandes fala sobre uma música simpatomimética, algo como uma cheirada de carreira no ouvido, que leva a um outro sentir a música. Uma coisa meio High morada, transe morada….

    Cadóz Sanchez completa o time dos novos colaboradores da revista. Em seu texto dividido em três partes (a segunda virá na próxima edição), ele propõe a vivência de uma música peripatética, um “ir-e-vir-conversando” que acompanha um passeio sonoro. Escreve sobre algo que seria uma experiência sonora da não-morada: como as condições dadas nos trânsitos afetam nossa escuta e a produção de música e como os sons são, por nós, ora consumidos como se fôssemos hóspedes ou turistas, ora enquanto co-habitantes de um espaço comum. Discorre sobre as relações mais ou menos impessoais que daí decorrem, a postura do turista sobre a cidade e os sons e, a partir desta relação, como isso é levado para o âmbito sonoro.

    Ana Paula circunda o tema casa, entrada-saída em seu poema feito a par(t)ir de Oficina de Poesia sonora que participou em Curitiba com uma de nossas editoras, Flora Holderbaum, no excelente Espaço de Criação Composteira. Ao final desse evento, essa casa, quase um “Caminho de Santiago Composteira”, abrigou, encasulou e deu lugar a diversas performances poéticas, uma em cada cômodo.

    Para fechar o time desta edição, temos o texto de Isabel Nogueira, que já escreveu diversas vezes aqui na linda em sua coluna-duo de conversas e entrevistas. Ela contorna um tema muitas vezes abordado na revista, que é a falta de representação para criadoras, artistas e compositoras na música, não só na música experimental, mas em todos os âmbitos musicais. A morada dela ou seu trânsito, ou seja, seu texto, é uma espécie de construir-morada sobre as formas de ativismos e feminismos na música, através de compilações de criadoras por selos e coletâneas digitais, as quais inauguram artivismos e cyberfeminismos. Nos apresenta assim as compilações Feminoise Latinoamerica, organizada pela artista sonora argentina Maia Koenig e Hystereofônica, organizada por Ágatha Barbosa de São Paulo. Morada em construção, morada Do It Yourself.

    E quem coloca todas estas moradas e estradas em diagramação é o convidado para ilustrar a linda deste mês, Daniel Ferreira Holderbaum.  Sejam visuais ou vibrantes, em várias janelas, ele nos concede as paisagens.

     

     

    Então….entre! Ou transite! A casa é sua!

    E a passagem também!

     

     

    Boas leituras e ressonâncias

     

     

    Flora Holderbaum, Julia Teles e Alessa

     

     

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