Caos e passagem

1 Posted by - 13/12/2016 - #9-#10, ano 3, coluna flutuante, danielle antunes, flora holderbaum

  • Caos aos pois, aos ais, aos tais dos fois.

    Caótica sinfonia dos causos da euforia,

    das causas do delírio ótico, do ócio que passeia

    passagem que permeia, o inconsciente, o sonho

    o sopro na orelha, a supracitada veia,

    o veio, a verve, o vômito e a febre.

    Vacilo no caos, reordeno, e depois retorno

    ao onírico sóbrio, às sobras do real, às dobras do caos

    ao sempre mutatis mutandis, moventis movandis,

    incendiendis, incendiantes, glutatis, gritantis,

    antropofagia inebriante, nunca sou mais eu como antes

    eu, você e ele, todo mundo junto, em coro apaixonado:

    – Queremos a passagem, o eterno sim, o sempre retorno

    daquilo que nunca mais será o mesmo…

    Somos cacos, pedaços, partes, passagens….

     

     

    caímos e saímos à toa,

    aos cais buscar o alento do que lenta onda reverbera

    das casas, nas asas do que anseia, passa

    para a próxima camada de sentido,

    a palavra na garganta, enunciado em corpos

    e vivo olho, a sede e o sono

    migramos de horizonte, abanando a margem do olhar ao longe

    fincamos terra mas a terra move

    e se remove, remonta e recobre(se)

    suas próprias falhas

    sísmicas, cismos, incendiatis, moventis estáticus a-paratus

    arqueologia do pertencer, de “aquis” sempre diferentes

    eu e você e ela, juntando o sulco, das pregas vocais:

    _Estamos na passagem, agora ao entorno e enquanto

    te vejo nos olhos e escuto tua voz

     
     
     

    Conectamos as linhagens, os saberes

     

     

     

     

    Não há ponto de partida, nem regresso

    mas apenas o fluxo contínuo – omnilateral, pluridimensional,

    infinitésimos do não tempo.

    O que veio e vem, nem chega a tornar-se identidade, esfacela-se na multiplicidade,

    inventando malabarismos de devires, recombinações e reconfigurações incessantes:

    A eterna dança! A vibração das cordas! A música das esferas a suspender o baile da passagem.

    Costuremos! – com dedos do inefável acústico, trancemos os fios translúcidos que escorrem

    pelo ar: – capturemos bolhas etéreas das sobras da matéria informe, dos suspirus oriundus

    du fundus sem forma.

    É noite, e com o poente, todas as esperanças apolíneas se fecham. (H)’Alvorada do signo, da sobra da vontade de captura… … … …. … ………………………………………………….

    É noite, e as crianças brincam de criar o multiverso com átmas sonoros, ventos que penetram

    as vísceras dos cantos.

    A brincadeira, único consolo, irrompe em lavas mortais: excreta o pûs da inflamada consciência, é o parto da criança redentora de todas as mentiras e lugares que nos deixaram a acreditar.

    Andemos! Mas com os pés da dança: em círculos, em ciclos, em somas tântricas.

    Em psicossomáticos mantras, dissolvendo a ilusão do Eu, Ele ou Ela.

     

    Nós, o caos!

     

     

     

     

    Danielle Antunes

    Flora Holderbaum

     

     

     

    Continue lendo!

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