A música experimental é a bola da vez?

1 Posted by - 13/12/2016 - #9-#10, ano 3, alessa

  • Este ano foi meio maluco mesmo…parece que nada aconteceu, e de repente tudo aconteceu na mesma época. Apesar de ser um ano politicamente agonizante, acredito que é em tempos de temor e trevas que aquela centelha de resistência adquire um novo fôlego. O que não é apagado pela avalanche trágica de catástrofes políticas, sobrevive e aquece mais forte. Um darwinismo natural das reações artísticas sociais.

    Corta cena.

    Já contei várias vezes que tenho um pé na música popular e quando me formei na faculdade (lá por 2010) existia um boom em São Paulo de música instrumental de cunho jazzista. Jazz B, Jazz nos Fundos, Madalaine, Ao Vivo Music Bar, São Cristovão, eram alguns dos bares que mantinham essa cena (de resistência) pela cidade. Hoje em dia, a música instrumental continua e há de continuar sempre, mas aquela euforia passou, os ventos foram pra outros lugares…Mas tá lá aquela chama pequenininha, agonizante…esperando sou destino de virar fogueira ou morrer.

    Corta cena.

    Eu já estava formada, tocando na night de Sampa, e fui fazer mestrado na gringa em música eletroacústica. E me despedi de uma São Paulo que começava uma nova fase da canção autoral. Puxadinho, Casa do Mancha, Casa de Francisca são alguns redutos que participaram ativamente deste boom cancioneiro. E lá veio a onda forte da especulação imobiliária, corte de editais e apocalipse Temer…E voltamos ao estado de velinha de bolo de aniversário….

    Pausa para comentários da diretora.

    Todas estas cenas continuam, sempre estiveram ai e acredito que sempre estarão em maior ou menor chama. Não me levem a mal.

    Volta cena.

    Novembro/Dezembro, fim do ano bizarro de 2016 e no espaço de 1o dias temos ao mesmo tempo em São Paulo, Festival de Música Estranha, Conferência de Sonologia da USP | Out of Phase, além das programações normais de lugares como Estúdio Fita Crepe, Ibrasotope….WOW! Música experimental is the new black! Talvez, parece ser um momento interessante para este tipo de prática, tivemos o Festival Novas Frequências no Rio que também deu o que falar. Agora no finalzinho tivemos nosso NMEChádas5 no Estudio Fita Crepe e foi também muito bom. Somos a fogueira da vez…Somos?

    Coda.

    Vejo como positiva estas ondas que impulsionam cenas independentes e criam conexões, agitam as moléculas e vibram numa potência muito forte. Isso é lindo de ver e dá esperança pra vida, principalmente em um ano tão traumático quanto este. Mas, a pergunta que queria propor é como articular a temperatura para manter aquecida a casa. Porque velas duram apenas um Parabéns e fogueiras queimam tudo em volta.

    Como pensar numa agenda constante de música experimental de maneira que não se divida público, mas que somem suas atividades em prol de algo mais a longo prazo?

    Essa coisa de “bola da vez” atende a quem? Por que precisamos mudar de bola toda hora?

    2017 tá ai, e não promete ser mais fácil que 2016. Não nos afastemos, porque em terra de “winter is coming”, precisamos juntar todas as velas que tivermos.

     

    Alessa

     

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