Mostra Sonora Floripa-SC Ciclo Internacional de Compositoras

0 Posted by - 25/10/2016 - #8, ano 3, Iara Germer, Sonora Floripa SC

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    O que dizer quando o universo conspira para que se encontrem 13 mulheres obstinadas, com uma idéia sensacional e sem nenhum tostão? Pois é, parece difícil, só que não!

    Há pouco mais de três meses –  era início de julho – vi uma agitação pelo Facebook, algo que envolvia mulheres, composições, um pipocar de informações de que haveria um ciclo internacional de compositoras, acontecendo em São Paulo, Natal, Lisboa, Belo Horizonte, Barcelona, Porto Alegre e mais outras tantas cidades. Chamava-se Sonora-Ciclo Internacional de Compositoras.

    Curiosa que sou, me apressei a perguntar pra uma querida amiga, a cantautora Joana Knobbe, que mora em Natal, porque o tal ciclo aconteceria em várias capitais e não aqui em Florianópolis. Ela prontamente me explicou que era um movimento, sem patrocínio, sem edital, só com a vontade de realizar e que se eu quisesse era “só fazer”! Aí que aquele “só fazer” me deu uma comichão e, tomada pelo desafio falei com minha querida amiga violinista Florinha Holderbaum, que já tinha ouvido algo a respeito. Bom, nos encontramos num café para esquadrinhar o que faríamos – meio perdidas, mas com uma vontade danada de tornar real uma idéia maravilhosa – um encontro de compositoras em Florianópolis.

    Mensagens trocadas com algumas das muitas compositoras que temos no estado, e voilá – estávamos com uma primeira reunião marcada pra 11 de julho na Escola de Música Compasso Aberto, para darmos início a uma verdadeira saga, um trabalho intenso, diverso, gratuito, colaborativo, inclusivo, amoroso, musical, que mexeu profundamente com todas que se envolveram na produção. Sim, porque foi um trabalho gigantesco, e mesmo assim não deixamos de cuidar dos nossos, não deixamos de trabalhar, de estudar, de cantar, de compor, enfim, de seguir com nosso cotidiano.

    Para minha grata surpresa, na primeira reunião conheci a violoncelista Camila Durães, que participa de um grupo feminista de São Paulo, também chamado Sonora, que também já tinha conhecimento do evento e estava buscando realizar o “nosso” Sonora Ciclo Internacional de Compositoras aqui em Floripa. Juntamos então a fome com a vontade de comer, do que viria a ser, e foi, um farto e saboroso banquete, o nosso banquete autoral!

    Digo “nosso”, porque realmente é nosso! Nos apropriamos, diversificamos, ampliamos, fizemos do nosso jeito, e foi transformador! A Mostra Sonora que apresentamos contou com a participação direta na produção das grandes artistas Tânia Meyer, Claudia Passos, Ivanna Tolotti, Renata Swoboda, Ne Ga, Sueli Ramos, Bia Rodrigues, Gracie Faraco, Julia Muniz, Flora Holderbaum, Camila Durães e Tatiana Cobbett, algumas que eu já conhecia e outras que tive o prazer imenso de conhecer, que me deram a honra de poder trabalhar e aprender com elas.

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    Foto: Chris Mayer

    E aí fez-se a mágica! Abrimos inscrições, tivemos o expressivo número de 33 inscritas – foram 29 compositoras e 4 intérpretes! Sim, ampliamos para intérpretes, por entender que são as intérpretes que multiplicam as composições, que as tornam conhecidas e que dão sua marca pessoal às canções!

    E tivemos duas noites incríveis de Mostra de Palco, no Teatro Pedro Ivo, apresentando uma produção autoral extremamente rica, diversificada e de alta qualidade, seguidas de dois dias com Fóruns Temáticos no Museu da Escola Catarinense, em que foram abordados temas como educação musical e gênero, acessibilidade às composições de mulheres e representatividade das mulheres compositoras em Santa Catarina.

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    Foto: Paula Guimarães

    Encerramos com uma mostra audiovisual de videoclipes e documentários seguida de debate com os cineastas envolvidos, tudo permeado por apresentações musicais. Para coroar o encerramento, saímos em cortejo pela cidade com o Bloco Cores de Aidê, formado somente por mulheres e fomos ao encontro do grupo feminino de rap Batalha das Mina.

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    Foto: Portal  Catarinas

    Durante os três intensos meses de preparação dos cinco dias da nossa Mostra, como disse Tatiana Cobbett, nos conhecemos, nos reconhecemos, nos enfrentamos, nos reconciliamos, e permaneceu em nós uma profunda admiração pelas nossas companheiras de ofício, porque sim, a arte transforma, a arte é maior do que pequenos desejos individuais, pela arte e para a arte vivemos; sem a arte para nos dar o alento e o impulso, nada faz sentido! Somos mulheres, somos artistas e arteiras, somos criativas e criadoras, somos a soma e a multiplicação de nossas vivências!

    Gratidão às grandes artistas: Ana Paula da Silva, Camila Durães, Sueli Ramos, Cláudia Passos, Tânia Meyer, Natália Livramento, Julia Peixoto, Ivana Saraçol, Julia Muniz, Dayana Nuñez, Silvia Abelin, Cláudia Barbosa, Bruna Nogueira, Ivanna Tolotti, NêGa, Jana Gularte, Tatyana Jacques, Silvia Beraldo, Ive Luna, Victoria Aftalion, Renata Swoboda, Denise de Castro, Luana Mockffa, Srta. V, Larissa Poeta, Susi Brito, Bárbara Vasques, Dandara Manoela, Flora Holderbaum, Letícia Coelho, Tatiana Cobbett, Johanna, Gracie Faraco, Côres de Aidê, Prika Lourenço, Kia, Batalha das Mina, sem vocês nossa Mostra não seria o que foi!

    Gratidão a todos os músicos parceiros que toparam nos acompanhar, sem cachê, porque não tínhamos dinheiro, apenas conseguimos arrecadar através das inscrições e do crowdfunding Vakinha o mínimo para pagar a sonorização, a assessoria de imprensa e o registro em vídeo, além da reserva do teatro. Sem vocês, nossa Mostra não seria o que foi!

    Valeu cada segundo, quero tudo de novo, as reuniões intermináveis ao redor da mesa, o laptop veloz da Cacá, as mil idéias da Tatá, a energia zen da Tânia, Florinha e Cláudia Passos, as brincadeiras da Renata, o afeto da Sueli e da Bia, o senso prático da Ivanna, a prontidão da Julia e da Gracie e o axé da NêGa, o zumzum da coxia, os encontros e reencontros dos músicos nos camarins, a entrega e os aplausos da plateia atenta! Bora pensar no Sonora 2017!

    “O que a gente quer
    É um pedaço de chão
    Mais amor menos guerra
    É ter nosso quinhão, nessa vastidão

    O que a gente quer
    É ter pão sobre a mesa
    É o brilho nos olhos
    É mais delicadeza, nessa vastidão

    O que a gente quer
    É sair por aí
    Com a certeza da volta
    Para sermos iguais, nessa vastidão”

     

     

     

    Iara Germer

        soundcloud.com/iara-germer

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