Inside Electrocamp: relato e entrevista com Johann Merrich e Marianna Andrigo

0 Posted by - 25/10/2016 - isabel nogueira, luciano zanatta

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    English translation below.

     

    A chegada a Forte Marghera foi num ônibus que nos levou do aeroporto de Veneza a uma parada no meio de uma auto pista.

    Patrizia Mattioli, uma das integrantes do selo Electronicgirls, viria nos buscar de carro, porque não sabíamos bem a distância entre a parada de ônibus em que estávamos (nós e quatro malas) e o local do festival e também não sabíamos – nem elas – dizer se havíamos descido na parada certa.

    A viagem já tinha sido tão longa como deveria: sair de Porto Alegre para o Rio de Janeiro, do Rio para Roma, de Roma para Veneza, e depois de ônibus do aeroporto até esta parada no meio da estrada.

    Setembro, final de verão, calor ainda, estávamos em Veneza mas não tínhamos visto os canais, as gôndolas, as pontes. Quando nos perguntavam onde seria o festival, dizíamos que, segundo o google maps, seria em algum lugar afastado, não exatamente em Veneza e ao lado de algum tipo de água (rio, lago, laguna, whatever).

    O primeiro contato com Johann Merrich, nome artístico de Giulia Volpatto, (inspirado por Joseph Merrick, que teve sua vida representada no filme O Homem Elefante), tinha acontecido a partir de uma chamada do selo ElectronicgirlsparaPleiadi, uma obra coletivarealizada a partir de instruções verbais.

    Ao menos meia hora esperando na estrada– tentando nos entender com Giulia pelo celular que cortava a ligação a todo momento, tentando explicar onde estávamos, identificar as redondezas para dar alguma informação útil – chega Patrizia.

    Bagagem no carro, vamos finalmente. Descobrimos, então, que havíamos descido na parada certa e estávamos a menos de dez minutos de caminhada do Forte, se tivéssemos caminhado.

    O lugar, Forte Marghera, é um antigo forte militar que hoje abriga lugares de exposição, ateliers, alguns restaurantes, e é uma espécie de parque onde as pessoas que moram em Veneza vem passear no final de semana. Depois do festival, quando fomos conhecer Veneza e conversamos com os que moram ali, vimos que, por trás das pontes idílicas e dos cenários de cinema, está uma cidade onde não entram carros (e bicicletas são proibidas), os moradores fazem a pé todas as suas tarefas cotidianas, a população não é maior do que duas Encruzilhada do Sul, os alagamentos são uma coisa que se convive de outubro a abril todos os anos e as pontes e as escadas são um desafio para quem carrega malas de equipamentos (ou compras de supermercado e móveis de mudança).

    O festival ElectroCamp acontece em Forte Marghera, ao estilo de um acampamento imersivo, promovido pela Associação Live Arts Culture em parceria com netlabel Electronicgirls.

    Nós e todos os 35 artistas participantes do festival ficamos alojados em um dos galpões antigos que eram parte do forte, onde a associação tem uma ocupação e fez o recondicionamento dos espaços. Alojamento e salas de ensaio, cozinha, sala de convivência e uma sala para refeições.

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    Nos turnos da manhã e tarde aconteceram os workshops (de música, com Seijiro Murayama, de dança com Ronit Ziv), e a partir das 21h os concertos, entremeados com live dos artistas do selo Electronicgirls e outros selos parceiros.

    Como Forte Marghera é um espaço público onde aconteciam outros shows, pessoas circulavam, pediam informações, outras vezes o volume invadia os shows do Electrocamp, balizando aquela frase recorrente de “se fosse na Europa, isto não aconteceria”.

    Sair à noite do lugar do alojamento, caminhar sem luz ate o lugar dos shows, andar pela beira do rio (ou lago, ou laguna, whatever), driblar os mosquitos, oferecer ajuda para organizar equipamentos ou refeições, tudo isso fez parte do festival também, assim como discutir o que significava musica popular, ou de concerto, ou estranha (whatever, de novo) para o contexto do Brasil, ou para o contexto da Eslovênia ou da Bósnia, fazia parte das conversas.

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    Além disto, ouvir o Velicon de JasnaVelickovic, as performances de Seijiro Murayama, o contrabaixo de Tomaz Grom (entre muitos outros), conversar sobre selos e festivais, e sobre o conceito adotado por Johann/Giulia, Marianna e Ilaria de que promover o trabalho de mulheres na cena eletrônica/experimental/estranha/investigativa não passa necessariamente pela não inclusão do trabalho dos homens.

    Do site do selo:

    We don’t believe in the contemporary music market’s rules. (…)Electronicgirls was born in 2010 as an innovative hub dedicated to the effort of women – from the past -and contemporary artists in the field of electronic music.

    Electronicgirls believe that music has no sex.

    Lançamos Lusque-Fusque pelo selo Electronicgirls e o show no festival foi também a estréia de um formato em duo (as versões anteriores eram no mínimo quarteto) e quadrafônico (um salve aqui para o Aldo Aliprandi, que fez a técnica).

    Não teve pizza, somente quando fomos para Veneza, depois do festival para tocar no avantgarden (obrigada pela expressão, Henrique Iwao!) do Awai Associazione Culturale, onde precisamos inventar o PianissimoNoise, em função das restrições da vizinhança.

    Daí sim, teve a Veneza dos canais, das pizzas, das (inúmeras!) pontezinhas, do passeio até Murano dos cristais, dos vaporettos (caros, tanto para turistas como para venezianos).

    Vontade de voltar no ano que vem, com uma comitiva de brasileiros e brasileiras, como prometemos, mas vir com o projeto “show na mochila”, para evitar carregar as malas pelas pontezinhas.

    Entrevista com Johann Merrich e Marianna Andrigo

     

    1. O que é o ElectroCamp Festival? Como começou e quais seus objetivos?

    Johann Merrich: ElectroCamp é uma plataforma internacional dedicada a novos sons e dança; é projeto de formação duplo, que promove workshops de música e dança e um festival que tem como objetivo apresentar ao púbico novas investigações em música e dança contemporâneas, descobrindo relações em desenvolvimento entre som e movimento. Foi organizado pela primeira vez em 2013 e acontece todo ano em setembro em Forte Marghera, Veneza, Itália.

    Marianna Andrigo: o festival começou graças ao encontro entre eu, Aldo Aliprandi (artista com quem trabalho, juntos dirigimos C32 Espaço de Arte Performativa, em Forte Marghera, de 2012 a 2014, então criamos a associação Live ArtsCultures junto com as musicistas Electronicgirls) e Johann Merrich. A paixão por som e movimento nos fez trabalhar em conjunto, misturando linguagens e visões. A primeira edição foi realizada com um forte propósito educacional, 6 dias de workshops, então convidamos amigxs a apresentar seus estudos e sugestões em torno do tema: som e movimento, de onde a criação começa?

    2. Qual a relação entre o netlabel Electronicgirls, a associação Live Arts Cultures e o festival?

    Johann Merrich: Electronicgirls é parte da Live Arts Cultures. Somos um netlabel independente e cooperamos dentro da Live Arts Cultures cuidando das ações musicais que acontecem através dos anos. O festival é apenas uma das expressões da nossa parceria. Ser um selo eletrônico nos ajuda a encontrar todo ano pessoas incríveis envolvidas nesse campo.

    Marianna Andrigo: Live Arts Cultures nasceu como uma colaboração concreta entre C32 (eu e Aldo Aliprandi) e três musicistas do selo Electronicgirls (Marta Marotta, Cristina Pacquola, Johann Merrich). Primeiro nos encontramos como artistas, trabalhamos juntos em performances e nos tornamos tão próximos que começamos a dirigir C32 em conjunto, realizando seus programas como parte do nosso trabalho artístico. Essa é a razão porque Live Arts Cultures é principalmente dedicada a som e movimento, coreografia, experimentação sonora. C32 é um espaço para produção, residências, workshops, por essa razão quisemos criar um festival: encontrar público, fazer as pessoas conhecerem o que fazemos, nós e xs artistas que convidamos. Abrir a porta!

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    3. O festival acontece sempre aqui, em Forte Marghera? Como você pensa que este lugar condicionou o festival a ser como é?

    Johann Merrich: desde a primeira edição, o festival foi sempre planejado e realizado em Forte Marghera, que é também nosso “quartel general”. Claro que essa locação é muito importante, primeiro de tudo, porque temos no lugar todo o equipamento que precisamos. Forte Marghera é uma área maravilhosa, mas acima de tudo é um ponto de junção entre Veneza e o continente, um lugar apto a atrair muitas e diversas pessoas. Esperamos continuar lá nosso projeto, com vontade de desenvolver a paisagem cultural geral da região, a qual está, nesse momento, muito deprimida.

    Marianna Andrigo: Forte Marghera é aberto para todo mundo, é natureza, verão, animais, é um espaço público onde você pode se esconder, é comida e bebida, é água; tudo o que podemos pensar é que as pessoas vão gostar do lugar. Espero que possamos continuar trabalhando em Forte Marghera. A paisagem, penso, faz as pessoas se sentirem livres, confortáveis, em casa… e eu gosto muito disso.

    4. Como é o processo de curadoria do festival? Como vocês escolhem e convidam artistas?

    Johann Merrich: caminhos diferentes levam artistas ao ElectroCamp.
    Como parte do Electronicgirls, eu cuido principalmente das contribuições musicais, embora costumemos decidir em conjunto quem será parte de cada edição. Como pesquisadora, procuro pessoas que estejam introduzindo inovações na nossa linguagem ou processos de trabalho incomuns. Podemos colaborar com artistas que venham através do selo ou podemos decidir entrar em contato com pessoas que não conhecemos mas que trabalham de maneiras novas e interessantes, fazendo realmente pesquisa na nossa disciplina. Algumas vezes pessoas nos enviam projetos brilhantes, outras vezes decidimos convidar alguém que lançou música com Electronicgirls e assim por diante…

    Marianna Andrigo: para convidar facilitadorxs de workshops de dança, eu busco por alguém que eu conheça ou que eu possa encontrar e estudar com ela/ele antes do ElectroCamp, para saber o que vamos oferecer para xs participantes. Como performer, experimento antes e então faço um convite compartilhando com Johann minha sugestão. Sobre artistas, lidamos com o espaço e o dinheiro que temos, recebemos artistas em residência, convidamos performers de cujo trabalho gostamos e especialmente levamos em consideração que ação-som-espaço devem ter o mesmo nível de cuidado.

    5. Vocês estão preocupadas especificamente com a presença de mulheres no festival?

    Johann Merrich: Eu nunca tive a idea de fazer uma lineup feminina no ElectroCamp… mas isto pode acontecer, falando sobre as contribuições musicais, em 2015 tivemos como artistas convidados: Caterina Barbieri, PschPshit, Patrizia Oliva, IOIOI, Phlox, BEA, Chironomia, EmanueleWiltsh, PatriziaMattioli, Kalalunatic, Von Tesla e Solar Plex (cinco homens versus 12 mulheres); este ano – 2016 – tivemos o prazer de trabalhar com Giulia Vismara, Isabel Nogueira & Luciano Zanatta, JasnaVelicovic, PatriziaMattioli, Carlo Siega, Mario Mariotti & Elia Moretti (quarto homens e quarto mulheres…)… tudo acontece por acaso. Em minha opinião, musicistas são musicistas e música é música… Eu não me preocupo se a compositora é uma mulher, um homem, um gato ou um alien… Eu me preocupo apenas com a qualidade da pesquisa.

    Marianna Andrigo: não.

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    6. ElectroCamp é um festival majoritariamente organizado por mulheres, como vocês acham que isto influencia a organização do festival?

    Johann Merrich: eu não penso se isto influencia o festival ou não. Eu realmente não penso sobre meus colegas como mulheres ou homens, eu penso no nosso grupo apenas como seres humanos lutando para movimentar cultura e experimentações no nosso pais, que é quase um lugar morto para cérebros preguiçosos.

    Marianna Andrigo: a casa está sempre limpa e o lixo está na rua… brincando…

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    7. Contem um pouco sobre seus trabalhos individuais durante o ano – os organizadores, como se relacionam com as atividades do festival?

    Johann Merrich: todos os que trabalham na organização do ElectroCamp são artistas, por esta razão, durante o ano nós desenvolvemos nosso trabalho buscando novas formas para expressar os temas que nos interessam, trabalhando encontramos novos parceiros e este tipo de sinergia está absolutamente refletido no programa do Festival…

    MariannaAndrigo: ElectroCamp é uma parte da nossa prática artística. Pessoalmente, continuo estudando, dou aulas, trabalho como bailarina para outros projetos, leio e observo… Organizar o festival é uma forma de expressar o que precisamos, o que fazemos. Precisamos de momentos para encontrar-nos uns aos outros, para fazer brilhar nosso cérebro, para treinar o coração..não apenas estar no estúdio. Artes performáticas são um perfeito equilíbrio entre o dentro e o fora, e desejamos criar ocasiões e lugares para nossa cidade, amigos, jovens artistas… pessoas – espaço – ideias.

    8. O que vocês imaginam para o festival no futuro, para os próximos cinco anos, por exemplo?

    Johann Merrich: estamos trabalhando duro para obter o que merecemos: ser vistos como uma atividade importante pelas principais instituições de nosso país. Precisamos de mais meios para continuar fazendo o ElectroCamp possível, precisamos de financiamentos, precisamos de um lugar estável para estar e trabalhar, precisamos de conexões com pessoas que desejem contribuir com nosso projeto. Se alguém ao redor do mundo estiver interessado em nosso projeto, por favor, venha até a gente, grite, toque nossa porta, toque os sinos… quero dizer: faça alguma coisa e estaremos mais do que felizes de buscar formas e desenvolver novos projetos de cooperação.

    Marianna Andrigo: crescer com honestidade e qualidade. Desenvolver a nós mesmxs e nossos projetos de uma forma ao mesmo tempo sonhadora e realista.

     

    Isabel Nogueira e Luciano Zanatta

     

    English translation

    1. What is the Electro Camp Festival? How did it started and what is its intention?

    Johann Merrich: Electro Camp is an international platform dedicated to new sounds and dance; it’s a double training project that provides workshops on music and dance and a festival aimed to present to the public new investigations toward contemporary music and dance, discovering ongoing relationships between sound and movement. It has been organized for the first time in 2013 and it takes places every year in September at Forte Marghera, Venice, Italy.

    Marianna Andrigo: it started thanks to the meeting between me, Aldo Aliprandi (artist I work with, together we managed C32 performing art work space, in Forte Marghera, from 2012 to 2014, then we created Live arts cultures association together with electronicgirls musicians) and Johann Merrich. The passion for sound and movement made us working together mixing languages and visions. The first edition was made with a strong educational purpose, 6 days workshop, then we invited friends to present their studies and suggestions around the theme: sound and movement relation, where the creation start from?

    2. What’s the relation between Electronic Girls netlabel, Live Arts Culture and the Festival?

    Johann Merrich: Electronicgirls is part of Live Arts Cultures. We are an independent net label and we cooperate within Live Arts Cultures in taking care of the musical efforts happening during the years. The Festival is only one of the expressions of our partnership. Being an electronic label help us to find out every year precious people involved in this field.

    Marianna Andrigo: Live arts cultures was born as a concrete collaboration between C32 (me and Aldo Aliprandi) and three musicians of electronicgirls (Marta Marotta, Cristina Pacquola, Johann Merrich). We met as artists first, we worked on performances together and we became so close that we started to manage C32 together making its program as a part of our artistic work. That’s the reason why Live arts cultures is mostly dedicates to sound and movement, choreography, sound experimentation. C32 is a space for production, residencies, workshop…that’s the reason we wanted to create a festival..to meet audience, to let people know about what we do and about artists we invite…to open the door!

    3. Is the festival always organized here, at Forte Marghera? How do you think that this place made the festival as it is?

    Johann Merrich: since the first edition, the Festival has always been planned and made in Forte Marghera, which is also our “head-quarter”. Of course, this location is very important; first of all, because we have on place all the equipment we need. Forte Marghera is a beautiful area, but above all is a junction point between Venice and the mainland, a place able to attract many and different people. We hope to continue there our project with the will of develop the main cultural landscape of the area, which is, right now, quite depressed.

    Marianna Andrigo: Forte Marghera is open for everybody, it’s nature, it’s summer, it’s animals, it’s a public space where you can also hide yourself, it’s food and drinks, it’s water….all what we need to think that people will enjoy it and I wish we can continue to work at Forte Marghera. The landscape, I think, make people feel free, confortable, at home….and I like that very much

    4. How is the process of curatorship of the festival? How do you choose and invite the artists?

    Johann Merrich: different paths are leading artists to Electro Camp; as part of electronicgirls, I mainly take care about the musical contributions, but event thou, we are used to decide together who will be part of each edition. As a researcher, I look for people who are introducing innovations in our language or unusual working processes. We can cooperate with artists that came across the label or we can decide to get in contact with unknown people who are working in interesting and new ways, making a real research in our discipline. Sometimes people send us brilliant projects, other times we decide to guest someone who already released music with electronicgirls and so on…

    Marianna Andrigo: To invite the facilitator of dance workshop, I look for a person I know or I can meet and study with her/him before Electro Camp..in state to know what we will give to participants. As performer, I taste first, then I make an invitation sharing with Johann my suggestion.
    About artists, we deal with space and money we have, we welcome artists we had in residency, we invite performers we like their work and especially we take in consideration that action –sound – space has to have the same level of care.

    5. Are you specific concerned about the female presence at the festival?

    Johann Merrich: I never had the idea to make an all-female-line-up at Electro Camp… but it might happen; speaking about the musical contributions, in 2015 we had as guest musicians: Caterina Barbieri, PschPshit, Patrizia Oliva, IOIOI, Phlox, BEA, Chironomia, Emanuele Wiltsh, Patrizia Mattioli, Kalalunatic, Von Tesla and Solar Plex (5 men VS 12 women); this year – 2016 – we had the pleasure to work with Giulia Vismara, Isabel Nogueira&Luciano Zanatta, JasnaVelicovic, Patrizia Mattioli, Carlo Siega, Mario Mariotti&Elia Moretti (4 men and 4 women…)… Everything happens by chance. In my opinion, musicians are musicians and music is music… I don’t care if the composer is a woman, a man, a cat or an alien… I just care about the research’s quality.

    Marianna Andrigo: no

    6. Electro Camp is a festival mostly organized by women, how do you think it influences the festival organization?

    Johann Merrich: I don’t know if this is influencing the Festival or not. I really don’t think about my colleagues as women or men, I just think about us as human beings struggling to bring culture and experimentations in our country, which is almost a dead place for lazy brains…

    Marianna Andrigo: the house is always clean and the waste is brought out…..joking…..

    7. Tell me about your individual works by the year(the organizers), how it could be related with the activities of the festival?

    Johann Merrich: everyone who works in the organization of electro camp is an artist; for this reason, during the year we develop our works finding out new ways to express issues we care; by working, we meet new colleagues and this kind of synergies are absolutely reflecting themselves on the Festival program…

    Marianna Andrigo: Electro Camp is a part of our artistic practice. Personally I continue to study, I teach, I work as dancer for other projects, I read and watch…To organize the festival it’s a way to say out what we need, what we do. We need occasions to meet each other, to make our brain brilliant, to train heart..no just to be in studio. Performing arts are a perfect balance between in and out and we wish we are creating occasions to our cities, friends, young artists..people – space –ideas.

    8. What do you project about the festival for the future, the next five years, for example?

    Johann Merrich: we are working hard to obtain what we deserve: to be seen as an important activity by the main institutions of our country. We need more ways to make Electro Camp possible; we need funds, we need a stable place to be and to work, we need connections with people willing to contribute in our project. If someone around the world is interested in us, please, knock our door, scream, ring the bells… I mean: do something and we’ll be more than happy to find a way and raise a new cooperation!

    Marianna Andrigo: to grow with honesty and quality. To develop us and our project as dreamers and realistics.

     

     

    Isabel Nogueira e Luciano Zanatta

     

     

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