Conversa com Gabriel Cevallos sobre o Festival Kinobeat!

1 Posted by - 12/09/2016 - #7, ano 3, isabel nogueira

  • Uma conversa com Gabriel Cevallos sobre o Festival Kinobeat, para abrir nossa coluna a duo!

    Gabriel é graduado em produção audiovisual pela PUCRS. Atua há mais de 10 anos na criação e produção de eventos ligados a música eletrônica, audiovisual e arte contemporânea em Porto Alegre. É idealizador e curador do Festival Kino Beat de som e imagem expandidos, que chega a sua 3˚edição em 2016, realizado em parceria com o SESC-RS. Foi o idealizador e curador da Mostra Kino Beat de filmes relacionados a música (2009, 2010, 2011) e do Kino Beat ao Vivo, evento de performances audiovisuais multimídia (2011, 2012, 2013). É idealizador e curador da coletânea KBEATS – Música Eletrônica Meridional, dedicada à produção de música eletrônica e digital gaúcha. Foi co-curador do evento paulista Green Sunset (2013) em sua edição em Porto Alegre, e co-curador da Mostra ArteSônica no Oi Futuro em Belo Horizonte (2014). Desde 2004 atua como DJ e há 9 anos produz a festa mensal NEON, que chega em sua 100˚ edição em outubro de 2016, reconhecida como umas das principais festas do cenário eletrônico alternativo no Brasil. Trabalha desde 2008 como o principal parceiro de música eletrônica do Instituto Goethe no Rio Grande do Sul, trazendo artistas alemães para se apresentar no Estado. Trabalha também em colaboração com outras instituições para o desenvolvimento de seus projetos, Secretária Municipal da Cultura de Porto Alegre, SESC, Consulado Geral da França e Embaixada da Suécia no Brasil são alguns dos seus parceiros.

     

     

         duo: 1. Como foi o início do Festival Kinobeat?

    Gabriel Cevallos: O Kino Beat nasceu em 2009 como Mostra Kino Beat de filmes relacionados à música. Foram 3 edições nesse formato de exibição de filmes, documentários, curtas, animações, clipes, que tiveram relação com o universo musical. Em 2010, paralelo à Mostra, eu criei o evento Kino Beat ao Vivo. Eram apresentações pontuais centradas na criação ao vivo de som e imagem. Foram 7 edições com esse nome, até que em 2014 tudo convergiu para o Festival Kino Beat, realizado em parceria com o SESC-RS.

    1. Como se estrutura o festival e quais as parcerias que tem hoje?

    O festival é ainda muito centrando em mim, em toda a sua parte de criação, curadoria e estratégias, mas para na realização e produção o SESC surge com toda a sua estrutura e equipe, geralmente 1 mês antes do início da programação. Além do SESC que é quem financia e co-realiza, o festival tem parcerias institucionais com a Embaixada da Suécia no Brasil, Aliança Francesa e Instituto Goethe, para vinda de artistas dos respectivos países. E o blog Loft55 que sempre faz uma cobertura especial do festival e de seus artistas.

    1. Como é a relação do festival com outros eventos nacionais e internacionais?

    Nesse exato momento está rolando uma articulação nacional de alguns festivais, Festival Novas Frequências, Bigorna, Música Estranha, Kino Beat, FIMEFita Crepe e Ibrasotop, para que juntos possamos criar um espécie de liga de festivais e realizadores, aumentando o intercâmbio entre eles, participando de editais juntos, criando um ecossistema mais favorável para todos através dessa união. No exterior comecei esse ano uma aproximação com o Festival de Norberg na Suécia, o mais antigo do país, que se dedica à música experimental e afins, trocando experiências e também artistas. Espero poder levar em breve brasileiros para lá.

    1. Como o festival se relaciona com a cena local?

    Uma das missões do festival é justamente fomentar e atuar diretamente com a cena local. São os locais que movimentam a cidade durante todo o ano e seria um absurdo não ter a presença deles quando surge um festival com um pouco mais de estrutura e condições que o normal. Para a edição desse ano eu quis abrir o festival com o grupo Medula, que é ligado ao grupo de criação sonora da UFRGS, com uma formação de 11 pessoas no palco, justamente pra ter artistas locais na grande noite de abertura. Eles vão apresentar um espetáculo chamado Forças, criado especialmente para o festival.

    1. Além do festival o nome Kinobeat movimenta/produz festas e coletâneas, como acontece isto?

    A coletânea Kbeats – Música Eletrônica Meridional, vem da ideia de tornar as ações ligadas ao festival algo que aconteça o ano inteiro, e não por apenas 4 ou 5 dias por ano. A coletânea, que já está na sua segunda edição, busca fazer um recorte da produção eletrônica e digital gaúcha, sem restrições de estilos ou com um foco muito definido. É uma plataforma pra mostrar novos artistas, realmente criar um espaço e dar atenção à essa produção. As festas foram duas até agora, justamente pra celebrar o lançamento das coletâneas e poder botar os artistas participantes para tocar ao vivo.

    1. Como acontece o processo de curadoria do festival e das coletâneas?

    Costumo brincar que quem faz a curadoria do festival é o orçamento: a partir dele eu consigo pensar no que é viável fazer, e não o contrário. Mas sempre tento ter um equilíbrio entre a parte sonora e visual. Atrações e atividades híbridas são sempre as que melhor representam a essência do festival. Mas exploro de forma individual cada linguagem também e esse ano o festival se relaciona de maneira mais acentuada com as artes visuais, com programação em duas galerias de arte.  Tudo pode dentro das premissas do som e da imagem. Pra coletânea a seleção tenta ir do pop ao experimental, bem caótico mesmo, sem purismo e esnobismo.

    1. Como tu vês o processo de inclusão de gêneros e da diversidade dentro do festival?

    É impossível ficar indiferente a essas pautas. O mundo inteiro grita isso, mas evito ter um discurso populista e anunciar isso como uma “atração” do festival. Acho que está sendo natural trabalhar com mais mulheres, não só no line-up mais também pensando o festival. A arte queer também surge no festival, em uma exposição que vai abordar a club culture como expressão política e de arte.

    1. De que maneiras a tua atuação profissional se relaciona com o festival?

    Eu sou formado em cinema e trabalho como DJ há mais de 10 anos. Tento expandir essas linguagens, trabalhar nas extremidades e subverter ao máximo o cinema e a música eletrônica. O quanto mais eu puder me afastar do cinema tradicional e da música eletrônica de pista, mais possibilidades vão surgir. Não apenas por simples negação, gosto também do tradicional e continuo fazendo, mas isso já é bastante explorado por aqui. A curiosidade sobre as coisas é o que me fascina, essa eterna busca pelo novo (seja o que isso for).

    1. De que forma projetas o festival no futuro, em uma perspectiva entre cinco a dez anos?

    É tão sensível e complicado trabalhar com coisas não convencionais, que o simples fato de existir nos próximos 5 anos será uma vitória. Mas sou otimista, espero poder ainda realizar projetos que envolvam a cidade de forma mais ampla, grandes instalações, legados para cidade, projetos pedagógicos, mas de forma sustentável, sem ser megalomaníaco. Preciso aumentar a interlocução com artistas, público e instituições da cidade. Com esse engajamento o festival pode ter raízes ainda mais profundas nessa construção de sentido, arte e entretenimento.

     

     

     

    duo

    Isabel Nogueira e Luciano Zanata

    Para Saber Mais:

    Capa: HOL apresenta Synapsys

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