Ranhura

2 Posted by - 27/07/2015 - #7, ano 2, natália keri

  • Nesta nova série, Natália escreve a partir de fotografias de amigos. Se antes o desafio estava em escrever o sonoro, ou ao menos aquilo advindo do sonoro (passando, é claro, pelos filtros próprios da autora), desta vez o jogo se dá com a poesia da fotografia, e com os desencontros dos filtros pessoais, ao convidarmos um músico para fazer uma música a partir das mesmas fotografias e ver no que que dá.

    Hoje, a partir das fotos de Maria Paula Ferraz Dias.
    E com a música Música Rosa de Cainã Vidor.

     

    Ranhura, de Natália Keri

    Chega um momento em que a gente quer os detalhes. E passa a dedicar dias a conhecer completamente um pedaço de chão. É para incrustar “eu estive aqui” que passamos a esmiuçar cada trinca e cada canto sob cada variação da luz solar.

    Mas aí a gente esquece onde fica a cozinha. E o que mesmo que ia fazer na cozinha? Talvez sede, talvez fome. Justo agora que descobri uma ranhura nova no banquinho! Dá para esperar mais um pouquinho…

    O divertido é ficar pensando que você é o primeiro ser humano a ver certa coisa. O descobridor da ranhura: um explorador.

    Mas queria mesmo saber onde foi todo mundo parar. As coisas novas na casa só descubro porque não tem alguém pra papear, pra mostrar o botão da rosa, para esperar a primeira pétala cair e para lamentar quando a flor secar.

    Mas a ranhura no banquinho suga o olhar e quando vejo já é hora de deitar. Tomar água, olhar pela janela e dormir. Quem sabe amanhã aparece alguém?

     

    de Maria Paula Ferraz Dias

     

    de Maria Paula Ferraz Dias

     

    de Maria Paula Ferraz Dias

     

    Maria Paula Ferraz Dias (foto). behance.net/mariapaulafd

    Cainã Vidor (música).

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