Figuras poligonais: três paralelos

5 Posted by - 24/05/2015 - #5, ano 2, luis felipe labaki

  • i.

    Acho que era na esquina da Av. Faria Lima com a Av. Rebouças que, lá pelo meio dos anos noventa, um outdoor eletrônico gigantesco da Bayer projetava o bebê dançante.

    dancingbaby

    A página da Wikipedia sobre o bebê me diz que ele foi criado em 1996. A Bayer devia estar então na vanguarda, porque tenho a impressão de tê-lo visto ali por volta de 96 mesmo, talvez 97 ou 98. Pra mim, que ainda era novo, pareceu que ele ficou dançando por muito tempo, meses ou até anos. Lembro também que ele me incomodava.

    Quando vemos figuras humanas geradas por computador, nossa primeira reação é sempre compará-las conosco? Comparamos sempre com a régua do realismo? E, quando comparamos, é a textura da pele, das roupas ou do cabelo o que mais importa? Ou é a fluidez dos movimentos?

    Quanto esforço é gasto pela indústria de efeitos especiais no cinema (e, até certo ponto, na indústria de games) para fazer figuras humanas as mais realistas possível? E o que fazer com o fato de essa impressão de realismo ser, via de regra, um bocado efêmera, com um prazo de validade curto? Isso importa? Ou não? Ou melhor: será que importa na mesma medida do peso que se dá, enquanto produtor (e divulgador e publicitário) dessas imagens, à questão do realismo?

    Going to the store é o bebê dançante que cresceu e parou de querer ser realista em seus movimentos. Preferiu apenas reluzir e se deixar iluminar realisticamente.

    E acho que o círculo se fecha ao vermos um remake em carne-e-osso que alguém decidiu fazer, tão distante da coisa real quanto os macacos em Jumanji.

     

    ii.

    Se vi o bebê dançante em 96, esse foi o ano também em que eu fui assistir Cassiopéia, a animação brasileira que rivaliza com Toy Story na disputa pelo posto de primeiro longa-metragem inteiramente feito em CGI. Vendo hoje, ainda que lembre uma versão muito pouco empolgante de Star Fox, esse filme de 80 minutos – 80! – ainda me parece um um feito bastante impressionante, especialmente para o contexto em que foi feito.

     

    As “Fábulas Geométricas” tinham aparecido ainda antes. Eu não sei se gostava especialmente das fábulas em si, mas a parte inicial, quando se mostrava a transformação (ou antes a sugestão) da figura geométrica em animal, isso eu achava legal.

     

    Não lembrava que a raposa atravessava um museu cheio de obras de arte “modernas” acompanhadas por uma música… “moderna”.  Os personagens sempre atravessavam esse espaço? Ou foi só nesse episódio?

    Citar vaporwave, que usa coisa velha, já ficou velho também, mas o museu bem que poderia ser esse:

     

    iii.

    Esses espaços e essas figuras, por sua vez, poderiam ter sido usados para fazer ainda mais uma recriação do Balé Triádico, mas, até onde eu saiba, não foram. Quem sabe alguém ainda o faça, mas por enquanto ficamos com a versão dos anos 70 feita por uma televisão alemã, cujo cenário rosa do segundo quadro poderia dar origem a uma encenação da capa de Floral Shoppe.

    A cabeça desse dançarino também lembra as cabeças de alguns camponeses do Maliévitch.

    Mas acho que é a proporção entre as partes do corpo e alguma coisa na textura da camisa dele que me fazem pensar naquele que, se não sei se teria coragem de dizer que foi meu vídeo preferido, certamente foi um dos que mais me marcaram em 2014:

    É isso.

    Luis Felipe Labaki

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    1 Comment

  • alexandre 25/05/2015 - 18:23 Reply

    rapaz, que hiperlinkagem bonita!

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