Experimentar a canção, canção experimental e suas partes (talvez sobressalentes)

3 Posted by - 26/04/2015 - #4, ano 2, caio kenji

  • 1 Experimentar a canção é, provavelmente, uma das situações que a maioria das pessoas se coloca em relação à música nos primeiros anos de suas vidas musicais, futuros profissionais da música ou não e a despeito da possibilidade do desenvolvimento dessa tal vida musical para algo diferente, não necessariamente melhor.

    2 Canta-se para os bebês, a infância é repleta de canções em forma de jogos e troças, canta-se ouvindo o artista favorito, karaoke, banda de garagem…

    3 – Sair da zona de conforto num ato de curiosidade (seja lá pelo o quê), ainda que adentrando a zona de conforto de outrem. Um desfrutar da audição de algo que se mostra novo, ainda que dentro do conhecido mas até então despercebido, por exemplo. Ou cantar sem nunca antes ter assumido em público o papel de quem canta, pois o chuveiro é zona de conforto e não é necessariamente totalmente privado, também.

    4 – Poder investigar com experimentos próprios, experimentar ativamente, criar para si com o que, ou naquilo que, não fora seu até então. Até certo ponto querer aprender/entender, depois desse certo ponto, dimensionar para então esgotar a curiosidade motriz se ela for passível de esgotamento.

    5 – Errar bonito o suficiente para fazer surgir questões como “e se eu estive errando o tempo todo e este foi o acerto?” que iniciem uma série de “provas”. Epifanias que pouco se relacionam com o que se pretendia acertar também não são raras.

    6 – Repensar as funções de uma estrutura. Na canção: do que se compõe e/ou compõe parte do quê? É feita de letra? De estrofes? Canto? Conteúdo verbal inteligível? Acompanhamento? Quando apresentada em um contexto entre outras obras (concerto, por exemplo), o que significa aquela canção naquele momento?

    7 – Obter algumas das mesmas partes de um objeto conhecido (no caso a canção) por meio de outros processos, que não os habituais, para que o momento de “juntá-las” possa gerar conflitos que nos obriguem a pensar em soluções outras.

    8 – Perceber até onde o “fazer diverso” consegue sustentar resultados que possam ser compreendidos como semelhantes entre si e/ou ao “ponto de partida”, seja lá qual for ele. Até onde e quais as relações que se propõe numa obra de arte precisam ser compreensíveis para se manter alguma evidência de que “b” é um experimento sobre “a” (caso desejada essa “evidência”)?

    9 – Se divertir como uma criança (mas não necessariamente jovem) quando ela ganha brinquedos modulares, quando ela desmonta um brinquedo (sobretudo se esse não fora pensado para isso) e quando tenta montar de novo. Semelhante, caso haja bom humor nessa hora, quando se monta um móvel mas o orgulho diz “não vou usar o manual” e ao final sobram peças.

    Caio Kenji

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