a redundância, o oculto e a ignorância [atrás da orelha de van gogh].

1 Posted by - 30/03/2015 - #3, ano 2, bruno fabbrini

  • Porque tanto buscar 

    o novo 

    se tudo há n

    ovo?

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    Sobre a redundância, o oculto e a ignorância [atrás da orelha de van gogh].

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    Nas ultimas décadas a música sofreu (e vem sofrendo) constantes [r]evoluções, tanto em sua cadeia de produção quanto na lógica de funcionamento como produto. Em maior ou menor grau, músicos e consumidores de música sabem da revolução da era digital, com home estúdios e softwares poderosos, plataformas de financiamento coletivo, canais de exibição e distribuição massivos sem custo, ou bem acessíveis, e parcerias entre pequenos selos e distribuidores para comercialização de álbum e merchandise. Além disso, temos as redes sociais suscitando a junção de coletivos, produtores e empreendedores, organizando e realizando programação de música ao vivo, acústica e acusmática seja no canto do mundo que for.

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    Em meio a tantas diferenças culturais é fácil encontrar sons diversos convivendo numa esquina online qualquer, viabilizados pelo aplastamento de diferenças aparentemente irreconciliáveis com acesso instantâneo a conteúdos sonoros (bibliotecas) de todo tipo. Disponibilizados livremente, esses alfabetos, sintaxes, gramáticas e sotaques sonoros-musicais de milhares de anos se proliferam em forma de dados (bit/byte) onipresentes a qualquer dispositivo de rede móvel e possibilitam a criação de novas obras com uma naturalidade até então desconhecida, uma nova linguagem graças a tal estranha proximidade desses mundos tão distintos.

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    Estando totalmente abastecidos, informados e próximos a todo tipo de produção, haveremos chegado a um ápice e consequentemente esgotamento de sistema? Haveremos escutado de tudo?

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    O crítico de música Alex Ross em seu livro Escuta Só dá exemplos clássicos de motivos melódicos retomados da idade média até hoje, seja na música erudita ou popular. Continuamente invocados e renovados (em sonoridades e variações), esses motivos são parte do nosso alfabeto sonoro, carregando percepções e emoções comuns pertencentes a parentes distantes, reproduzindo determinadas melodias há milênios como evocação de amor, afeto todo tipo de sentido/sentimentos em geral, seja com ares de grandiosidade ou depressão estamínica.

    Bob Moog foi pioneiro na criação e dominio da arte de sons criados através de impulsos elétricos, em circuitos que geram sinal de ruído branco e filtros que subtraem e transformam esse ruído em outros sinais, timbres sintéticos manipuláveis e toda uma nova espécie de linguagem e universo musical e sonoro. Essa linguagem, então revolucionária em meado dos anos 60, hoje está presente na nossa memória através da difusão de discos, filmes, trilhas televisivas e qualquer outra mídia de grande alcance. Talvez você não saiba muito a respeito de sua origem e produção, mas certamente é capaz de reconhecer muitas colorações em vinhetas, efeitos e ambiências das mais variadas.

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    Especulando sobre as novidades graças à junção de muitos universos, não podemos escapar a morte (ou renovação) de outro. Se por um lado não há nada que possamos fazer quanto a isso, angústia humana primordial – vida e morte – conseguiremos um dia transcender nossos limites de conhecimentos audíveis nos aproximando de uma novidade sonora imaterial, surgida do ‘outro lado’, da matéria escura? Haverá um som inaudível e como seria esse som? Será possível escutá-lo meditando? Será possível (re)criá-lo?

    Não tenho idéia,

    Você faz?

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    Bruno Fabbrini

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