Percebendo o público

3 Posted by - 25/01/2015 - #1, ano 2, caio kenji

  • Outro dia estava no transporte público pensando sobre:

    1 – Como perceber as coisas é uma tarefa realizada por prioridades. A prioridade, é claro, baseia-se sempre no “eu” e em nossas vivências, sobre tudo as mais recentes. Se por acaso se convive com uma grávida, surgem grávidas para todo lado, a despeito de elas existirem em uma quantidade relativamente constante o ano todo. Se um problema o inquieta, percebe-se o mundo sob perspectivas que relacionem a maioria das coisas com esse problema. Obviamente, tudo isso surgira de inquietações minhas, eis que me veio uma pergunta: Como eu faço para que minha obra esteja numa “zona de percepção” de um público tão heterogêneo e de percepção já tão assediada como a de um povo cosmopolita (sem abandonar o básico da educação para com os outros)?

    2 – A expectativa do público é algo bastante importante para o “sucesso” de uma obra de arte, principalmente se a obra é temporal ou possa encontrar-se em diferentes situações dependendo do momento. Não se trata de simplesmente gerar e cumprir expectativas, isso torna qualquer coisa muito previsível, mas de equilibrar entre “decepcionar” padrões para “quebrar” o andamento dos acontecimentos e/ou mostrar outras possibilidades e “cumprir promessas” para afirmar um sistema. Uma obra interativa que depende da ação do público, esta que normalmente é previsível apenas estar dentro de um campo de potencialidades, quando combinada com o tempo, ou seja, uma sequência de ações, gera um problema um pouco diferente de qualquer arte temporal, pois quem constrói a narratividade, em grande parte, é o público.

    No entanto, ainda que a interatividade traga o problema da imprevisibilidade, também carrega a imensa capacidade de inserir o público na obra, o que, ao fazê-lo ativo, permite que ele vá aonde quiser e fazer as escolhas que mais o interessar dentro daquilo.

    3 – As maiores insatisfações que sentimos ao não gostar de uma obra de arte muitas vezes estão relacionadas a como ela foi realizada e como isso foge do que faríamos.

    Não pensei nisso assim, certinho e tudo separado, mas acho que circunda bem o que era.

    Caio Kenji

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