Uma possibilidade para o som na instalação interativa

0 Posted by - 08/12/2014 - caio kenji

  • Gosto da reação que muitos que temos ao ouvir, dentro de uma obra, um som “inesperado” cuja origem não é/está visível. Melhor ainda é se, ao mesmo tempo que esse som acontece, algum estímulo visual venha provocar nossa capacidade dedutiva ou jogar com os significados possíveis desse som, chegando, no melhor dos casos segundo esse meu gosto, a dar uma outra materialidade que não sua fonte original – caso ela exista enquanto algo material que tenha características sonoras passíveis de serem reconhecidas. Quando isso acontece, creio ser o momento mais oportuno para inserir o elemento “interatividade”, a curiosidade já está incendiada, estamos prontos para iniciar os testes que a nossa razão, agora ameaçada, sugere para ver-se no controle de novo – tendo ela estado ou não no controle em algum momento.

    Tive a oportunidade de presenciar algumas reações, essas que tanto me agradam, de um ponto de vista privilegiado: pessoas que não sabiam meu nome – e, portanto, não sabiam exatamente quem eu era ou o que estava fazendo ali – interagindo com uma obra minha. Ao fazer sombra sobre o objeto, sons como estalos ou batidas, que vêm de dentro do objeto, fazem uma lâmpada pulsar sua intensidade. Muitas pessoas associavam os estalos a curtos ou choques e logo afastavam as mãos, no entanto, para a maioria, a curiosidade era tamanha que voltavam a encostar/aproximar suas mãos para reiniciar o “rebuliço” que a sombra causava. Muitos experimentos surgiam a partir do momento em que o medo estava “erradicado”, o mesmo medo que a nossa cultura implantou na nossa maneira de nos comportar, enquanto espectadores, dentro de salas de concerto e galerias de arte.

    Prisão de Nictofóbicos

    Ainda sobre a curiosidade das pessoas que se divertiam pensando possibilidades de se fazer sombras sobre aquele objeto, algo que me chamou bastante a atenção foi a atenção que outras pessoas que não estavam interagindo mantinham sobre aquele que estava. A interação passava a ter momentos de contribuição, pessoas sugeriam outros “testes” a quem estivesse “descobrindo” o funcionamento da obra, ou então aquele que não sabia mais como fazer sobras que resultassem em sonoridades diferentes buscava a opinião de quem observava sus tentativas. As “descobertas” passavam a ser coletivas, perceber isso fez a manutenção da minha convicção na interatividade.

    Prisão

    Depois de um tempo, algumas pessoas ainda buscavam saber o que fazia o som “lá dentro”, outras já se preocupavam em entender o comportamento do objeto, alguns simplesmente fruíam da parte tátil que descobriam ao interagir, enfim, cada um buscava uma satisfação diferente, alguns até a alcançavam!


    Caio Kenji é um entusiasta da interatividade em obras tecnológicas, ultimamente tem desenvolvido trabalhos de instalação interativas com suporte tecnológico como programação em Pure Data, Processing e Arduinos.

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